Quem cuida de quem cuida?
O burnout silencioso dos profissionais de RH
Eliane
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O paradoxo do RH
O setor de Recursos Humanos é chamado de “estratégico”, mas na prática é tratado como linha de frente do desgaste emocional. É o RH que precisa dar conta de tudo: acolher colaboradores em crise, apagar incêndios de liderança, lidar com a pressão da diretoria e, ainda por cima, se manter “positivo e motivador”.
Mas existe uma pergunta que quase nunca é feita: quem cuida de quem cuida?
O RH como saco de pancadas
Em muitas empresas, o RH se tornou a caixa de ressonância de todas as dores. Se a liderança falha, sobra para o RH. Se os números caem, a culpa é do RH. Se alguém adoece, é “porque o RH não fez campanha suficiente de saúde”.
Esse ciclo é insustentável.
O resultado? Profissionais de RH vivendo em esgotamento, ansiosos, com medo de falhar, muitas vezes em silêncio — porque admitir fragilidade seria “falta de preparo”.
Burnout silencioso
O burnout no RH é traiçoeiro porque é mascarado. O profissional continua entregando relatórios, organizando treinamentos, fazendo reuniões… mas por dentro está em colapso.
Fadiga crônica: reuniões intermináveis, demandas simultâneas.
Despersonalização: começam a tratar pessoas como “números”, porque é a única forma de não sentir tanto.
Sensação de ineficácia: acreditam que nunca fazem o suficiente, que sempre estão “devendo”.
Esse é o retrato do burnout silencioso que ninguém enxerga.
A conta para a empresa
Um RH adoecido significa:
Processos mal executados.
Falta de credibilidade nos programas de saúde mental.
Distorção no recrutamento e retenção de talentos.
Perda da cultura organizacional.
Em resumo: se o RH está doente, a empresa já adoeceu.
Caminhos para quebrar o ciclo
Reconhecer a vulnerabilidade do RH
Profissionais de RH também precisam de suporte psicológico e emocional.
Reduzir a sobrecarga estrutural
Delegar tarefas, contratar suporte, automatizar processos.
Dar voz e autonomia
RH precisa ter poder de decisão, não ser apenas “cumpridor de ordens”.
Incluir o RH nas políticas de bem-estar
Não faz sentido o RH cuidar da saúde mental de todos e não ter programas voltados para si.
Se queremos empresas emocionalmente saudáveis, precisamos começar por quem sustenta esse alicerce: o RH.
Cuidar do RH não é gentileza. É estratégia.
👉 Pergunta para reflexão: na sua empresa, o RH é apoiado… ou apenas usado até o limite?
